Durante décadas, chegar aos 90 anos era considerado uma exceção reservada a poucas pessoas. No entanto, as projeções mais recentes indicam que as mulheres da Coreia do Sul podem se tornar a primeira população feminina do mundo a atingir uma expectativa de vida média superior a 90 anos.
Mas, além dos números, esse fenômeno abre uma discussão interessante sobre como os hábitos, o ambiente e o acesso à saúde podem influenciar a qualidade de vida na maturidade.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet estimou que as mulheres nascidas na Coreia do Sul poderiam atingir uma expectativa de vida média de 90,8 anos por volta de 2030. Embora se trate de uma projeção e não de uma certeza absoluta, os pesquisadores concordam que o país asiático está mais próximo do que qualquer outra nação de romper essa barreira histórica.
O aumento da expectativa de vida na Coreia do Sul é extraordinariamente rápido, segundo os padrões históricos. De acordo com um estudo do Fórum Econômico Mundial, as mulheres sul-coreanas nascidas em 2030 viverão, em média, 6,6 anos a mais do que as nascidas em 2010, o maior aumento projetado entre os 35 países analisados.
As razões por trás desse avanço não têm nada de misterioso: os especialistas destacam uma combinação de fatores que inclui uma boa alimentação desde a infância, acesso universal a serviços médicos, baixos níveis de obesidade e uma distribuição relativamente equitativa dos benefícios do desenvolvimento econômico.
Em outras palavras: a longevidade parece estar relacionada a decisões coletivas que favorecem o bem-estar de toda a população.
Um dos aspectos mais interessantes é que a Coreia do Sul não apenas conseguiu que mais pessoas chegassem a idades avançadas, mas também retardou o surgimento de doenças crônicas associadas ao envelhecimento. À medida que as doenças infecciosas diminuíram, os cuidados de saúde passaram a se concentrar na prevenção ou no controle de condições como doenças cardíacas, diabetes, acidentes vasculares cerebrais e algumas formas de demência.
Para as mulheres da terceira idade, esse exemplo é especialmente inspirador, pois demonstra que a longevidade não depende apenas da genética.
Os especialistas apontam que fatores como manter-se ativa, cuidar da saúde cardiovascular, ter acesso a exames médicos periódicos e manter laços sociais sólidos podem fazer uma diferença significativa ao longo dos anos.
No entanto, o aumento da expectativa de vida também traz novos desafios.
Uma população que vive mais tempo precisa de sistemas de saúde preparados, novas formas de aposentadoria e mais recursos para promover um envelhecimento saudável. Por isso, muitos especialistas consideram que o verdadeiro desafio já não é simplesmente somar anos à vida, mas garantir que esses anos adicionais sejam repletos de autonomia, bem-estar e propósito.
Curiosamente, várias pesquisas revelaram que a qualidade das relações pessoais pode ser um dos fatores mais importantes para desfrutar de uma velhice satisfatória. A conexão com familiares, amigos e comunidades pode ter um impacto tão relevante quanto a alimentação ou a atividade física, reforçando a ideia de que o bem-estar é uma experiência integral.
Embora ainda faltem alguns anos para verificar se a Coreia do Sul ultrapassará oficialmente a marca dos 90 anos, a tendência parece clara: sua experiência demonstra que a longevidade não é apenas uma questão de medicina avançada.
Para as mulheres que hoje estão na terceira idade, a mensagem é encorajadora: viver mais tempo é possível, mas viver melhor é o objetivo que realmente importa.